Tess e o BBB 10

Já é a segunda vez que meu “nome” aparece no Big Brother. A primeira foi no BBB8, quando a Tati Bione – que é daqui de Brasília e ainda estudou no mesmo colégio que eu – pôde chamar uma amiga para visitá-la e ela chamou uma tal de Tessa. A partir desse dia, inúmeros velhos desconhecidos vieram estranhamente me perguntar como tinha sido no BBB. Devem ter ouvido por aí que “a Tess tava no Big Brother” e, claro, não foi difícil associar um apelido um tanto incomum à minha ilustre pessoa.

Quando os participantes do BBB10 foram anunciados e surgiu a tal da Tessália / Twittess, cujo apelido, naturalmente, é Tess, eu falei “Pronto… Lá vem a encheção de novo”. Mas aí nada. Ainda bem que a tal guria já era famosa na internet, então boa parte das pessoas, bem ou mal, já tinham ouvido falar dela.

Sempre gostei do Big Borther e, nessa edição, resolvi comprar o pay-per-view. Minha mãe fica meio indignada, perguntando como posso eu, uma menina tão “inteligente” e tão “culta” gostar de Big Brother. Aí eu resmungo qualquer coisa pra ela de volta e volto a assistir o programa. E o pior é que tenho acompanhado de perto. Claro que eu trabalho o dia inteiro, então não dá pra assitir BBB 19 horas por dia, mas tenho certeza de que a grande responsável pela minha insônia tem sido as madrugadas do pay-per-view.

Acho engraçadíssima aquela galera que fica fazendo teatro ou que fica desdenhando aquela “amiga” de quem ela, a BBB, sempre morreu de inveja, só porque agora tá na TV. Tenho um pouco essa impressão da Anamara. É como se o tempo inteiro ela estivesse atuando pra uma platéia que não é o Brasil todo, mas aquele grupo de pessoas que ela conhece, de sua cidade natal, entre as quais ela passará a ser rainha quando sair do programa.

O Eliéser deve ser um cara bacana, mas é impressionante como ele tem vários vícios em relação à própria beleza. Parece que ele tem medo de ficar feio na TV, então a impressão é de que ele está sempre com a cara montada, com expressões de modelo quando tá na passarela ou posando pra uma foto. Pessoalmente, o cara deve ser maravilhoso, mas tenho pra mim que não passa muito disso.

Angélica, Fernanda, Uíliam, Kadu, Cláudia, Alex e Marcela pra mim são meio coadjuvantes ainda, meio moscas-morta. Não fizeram nada de relevante, provavelmente ainda ficam pelas próximas duas semanas. Depois que a Tessália sair nessa e o Dourado na próxima, aí será a vez da Angélica e da Elenita. E então eu não sei mais quem vai ser.

Esses dias uma colega de trabalho tava falando do tanto que ela adora o Dicésar, do tanto que ele lembra o cabeleireiro dela. Tá bom… Ele é engraçado. Mas qual cabeleireiro gay não é? E a gente agüenta ali por uma horinha ou duas quando tá no salão, ouvindo todas as coisas que ele diz que a gente tem de fazer pra ser linda e maravilhosa e ganhar um Nobel da Paz, mas depois acaba. Já pensou agüentar o Dicésar 24h por dia? Com as lições de moral e os deves e não-deves fazer? Deus me livre!

E o Serginho… Nossa! Toda vez que eu o vejo, lembro dos meus amigos gays cujos trejeitos são iguais aos dele. A imitação que ele faz da Paris Hilton também é impagável e traz um quê de vaidade que é ultra moderna e cosmopolita. Ele me passa um pouco o lado do homossexual não como a figura caricaturada da drag queen, mas como um homem que, simplesmente, é extremamente vaidoso e que gosta de se relacionar com homens. Tudo bem que, no caso do Sérgio, é perceptível aos olhos de um cego que ele é um pouco afetado, mas vejam a Angélica, por exemplo: ela em momento algum deixa de ser feminina por gostar de se relacionar com mulheres… Mas isso é papo pra outra novela.

Já o Dourado, pra mim, só quer causar. E deixa ele causando. Mas às vezes não sei bem ao certo se é ele que quer provocar os outros ou se são brothers que já vêm com 15 pedras na mão pra cima dele toda vez que ele fala. Já pensou não poder fazer uma brincadeira porque vai todo mundo te levar a mal? Eu não queria essa vida pra mim. Vi uma conversa dele com o Alex nessa madrugada e ele me pareceu mais desarmado; mas sabendo, claro, que o grupo quer você fora dali, não me estranha ele (e a Tessália) quererem se isolar.

E já que estamos falando dos sarados, vamos falar da Eliane. Gosto dela, mas acho que, por dizer tudo na cara pra todo mundo, ela tá virando meio diva na história. Parece que os outros participantes têm medo dela. Lembro da Lena quase rastejando, pedindo desculpas porque votou nela. Fala sério! E a Lia ainda deu uma esnobada. Pedir desculpas pra quê? Todo mundo tem que votar em alguém, mas ninguém fica feliz de ser votado. Claro que não ficam! E a Eliane fala como se fosse uma afronta uma pessoa votar nela. COMO OUSAM, afinal?! Mas ela é sensata em relação às outras coisas, eu acho. Tem cara de batalhadora e acho que vai passar bastante tempo no BBB ainda.

Bom, os melhores eu deixei por último por motivos aleatórios de preferência. Achei muito legal quando vi que a representante de Brasília era doutora em lingüística, ia tirar a imagem da patricinha da capital federal que é um poço de antipatia. Aliás, acho que a produção deveria ganhar o BBB no dia que achar uma pessoa de Brasília que não esteja perigando sair na primeira semana! E não sei se é porque eu também não sou daqui, mas vejo a Lena como uma personagem muito estigmatizada. Taí… nunca vi ninguém gostar do pessoal de Brasília. Acho que eu mesma, se um dia fosse pro Big Brother, seria arriscado sair da primeira semana.

Quando não são as patricinhas que querem ser famosas, são os revolucionários do mundo alternativo de Brasília. Aposto que a Lena freqüenta o Landscape, o Quinto e as baladas underground do CONIC. Ela deve ter feito letras da UnB, estudado no minhocão e é claro que ela é a favor de cotas; é claro que ela fala de imaginário coletivo: ela passou a graduação toda perto do pessoal da sociologia. Faz todo o sentido, pra uma pessoa que é daqui, quem é a Elenita e quem é a Lena. E depois do drama do último paredão, se ela durar muito, sairá depois da Angélica.

Quase finalmente, o Michel. Acho o Michel muito legal! Ele é meu número certinho, até no nariz grande. Fazendo as contas, ele é dois dos meus amores passados mais meu atual crush, tudo num só. É um cara viajado, deve ter tido um monte de experiências incríveis por aí pra contar. Mas confesso que fiquei meio decepcionada quando vi no vídeo de apresentação dele que ele tem 30 anos e ainda mora com os pais. Me pareceu um pouco moleque demais pra idade que tem, honestamente. Mas ele é bonzinho sem ter o coeficiente emocional de um samambaia. Vamos ver até quanto a Tessália consegue deixá-lo hipnotizado com o papo barato dela.

A Tessália. Eu já tinha visto a @twittess em uma das buscas que fiz por “Tess” no Twitter. Nem sabia que ela tinha essa fama toda até o Big Brother, mesmo porque não tenho muita paciência pra seguir pessoas aleatórias, por mais interessante que seja o conteúdo das mensagens delas. No máximo, sigo meia dúzia de celebridades hollywoodianas que deixam mensagens uma vez na vida e outra na morte, então não atola a minha página.

Não sei se foi pelo nome ou por ela ser meio geek, mas me chamou a atenção e eu comecei a observá-la mais detidamente no pay-per-view. No início, achei super interessante. Os papos dela com o Michel tinham conteúdo – e um conteúdo que me interessava. Até de diplomacia ela falou! Às vezes dava vontade até de conversar junto. E o charminho que ela jogava pra cima do Michel era muito barato. Não estou desqualificando, mesmo porque eu faço igualzinho. E sempre funciona! Desde o primeiro “deita aqui” cheia de manha eu já tinha sacado o que ela tava querendo.

Depois de um tempo, os papos continuavam interessantes, mas aí passamos a ver uma Tessália que ainda não tinha aparecido. Como já disseram, ela pega pesado. Tem um ego que dá duas voltas no mundo; mundo este que gira ao redor do umbigo dela, claro! Não aceita perder, fica ácida, como se achasse tão boa que seria incapaz de perder alguma coisa. Quando o Alex eliminou o Michel na segunda proa do líder, foi por causa dela, porque o Alex queria ficar com ela e não ficou. A Fernanda, que é a menina mais bonita e doce da casa, também gosta do Michel, não gosta dela e ainda dança esquisito, segundo a Tessália.

Pra mim é meio óbvio por que a Tessália fica dizendo que a Lena – a “plus size” da casa – é a mais sexy, a mais bonita, a mais sensual quando dança. Pra ela, a Lena não é concorrência forte. E ela sabe que a Fernanda é mais bonita, mais querida entre os brothers e uma das favoritas ao prêmio. Isso a incomoda profundamente, então ela só detona a outra guria. Porque quem é meio desengonçada na hora que dança, na verdade, é a própria Tessália. Reparem só…

Acho que ela é uma menina inteligente sim, mas ela tem mais papo do que conteúdo. Pra uma menina tão antenada e descolada, a pronúncia do inglês que ela insiste em falar é bem fraquinha. Ela fala as coisas com tanta convicção, com tanta certeza de que é a verdade, que todo mundo acredita. E falo isso com propriedade… quando ela tava explicando pro Michel como era a prova pra virar diplomata e tal… tudo errado! E ela ainda ficou dizendo que o Michel, se não passou na USP, não passaria no Rio Branco. Ele, claro, ficava lá todo bobo, achando aquilo tudo o máximo.

Ela é autêntica, de fato. Em inglês, diriam que é “opinionated”. Ela parece muito com uma amiga minha, que de tudo “sabe”, de tudo fala. Tudo os dela são o melhor. Todos os caras são loucos por ela. Se ela perdeu, não foi culpa dela. No fundo, ela sabe pouco de muito e muito de nada, mas aparenta ser uma pessoa tão versátil que todo mundo fica impressionado. Até que você a conheça em profundidade… e no fundo do poço não tem nada.

Não me entendam errado. Pra mim, ela é a mais interessante lá dentro, mas sei que nunca cairá no gosto do público. O Brasilzão de meu Deus não gosta de pessoas “opinionated”. O massa que assiste Big Brother, arrisco dizer, nem de mulher gosta, muito menos das que rebolam muito. A massa não gosta de homens que rebolam mais que mulheres também. Não fosse o Michel ter se envolvido com a Tessália, diria que ele seria o cara pra ganhar essa edição, mas como ninguém gosta dela, ele agora vai ficar meio estigmatizado. É por isso que eu acho que, dos homens, o prêmio está entre o Sérgio, o Dicesar e o Kadu. Das mulheres, eu não sei. Fernanda e Lia?

Bom, quero ver como vai estar quando eu chegar de viagem. Duas semanas no exterior sem acompanhar ao vivo, pode ser que eu mude drasticamente de opinião quando estiver de volta.

Novo Velho

Acabei de apagar um texto até engraçadinho que falava sobre o retorno do meu blog no bom e velho tessmia, no espírito desapego a velhas coisas, ano novo, renovação, hábitos antigos e blá, blá, blá…

Primeiro post do ano novo no novo blog novo… Só na minha cabeça mesmo essa coisa de metalinguagem seria legal. Se quero um dia escrever um livro de ficção que vai virar filme estrelado pela Angelina Jolie, tenho de aprender a começar do nada e continuar, como se tudo fosse muito natural. Então vamos lá…

São 18:09 e estou no trabalho. 18:10. Dadas as coisas como têm sido desde o início de dezembro, é estranho eu não estar com todas as minhas coisas no ponto de ir embora pontualmente às 18:00. Ao contrário, meu computador ainda está ligado e eu continuo aqui com tudo aberto. 

Em um parágrafo, já vejo um bom começo de filme… ou de livro. Imaginem uma servidora na repartição pública, sentada na sua mesa com um copinho descartável de café virado sujando toda a mesa e os papéis. O relógio faz tic-tac-tic-tac, o que dá aquela irritante impressão de tempo que não passa. A moça não é especialmente bonita, nem feia. Quando elas são assim, nos filmes, tendem a ser brilhantes.

O telefone toca em uma outra mesa. Ninguém se mexe. Ela, então, corre quando percebe que ninguém, realmente, vai fazer nada. Quando atende, a pessoa do outro lado da linha já havia desligado. Tarde demais! E a brilhante moça, que não é bonita nem feia, volta para a sua mesa. Seu ar de tranquilidade beira o tédio. São 18:23 e ela ainda não foi embora por pura preguiça.

O download do que quer que seja ainda está em 15.3%, a uma velocidade de 3.9kB/s. Se ela fosse esperar, ficaria no trabalho por mais quase 23 horas. Nos tempos de vacas gordas, de muito trabalho, ela nem reclamaria. Eram 8 horas de sono que tinha para jornadas de 16 horas de trabalho, entrando no horário de fim de expediente em Bangkok e saindo no horário de Nova Iorque. Ou algumas horas a mais para conseguir, claro, ainda falar com Bangkok de novo no fim do dia.

Agora são 18:46. Ir embora quase às 19:00 quando não se tem nada para fazer até poderia causar uma boa impressão no chefe. Se, obviamente, ele estivesse na sala… Então boa noite!